| Abstract: | O saber profundo é a matriz conceitual desta reflexão, pautada no entendimento de que o processo de aprender e ensinar não se restringe à escola, tampouco é fruto exclusivo da racionalidade científica. Por comunidades de saber profundo denominam-se os sujeitos dos povoados de Cibele e Caiçara, no município goiano de Itapuranga. As topofilias do saber são as casas, igrejas, vendas, locus da prosa pedagógica, essência verticalizada do aprender e ensinar, subterrânea na memória coletiva de uma comunidade. No apelo à profundidade do saber das rezas e benzeções, da lida nas roças e nas casas, e do imaginário que as perpassa, é que se situa este estudo, baseado teoricamente no Cotidiano a partir de Michel Maffesoli, Manoel Barbosa e José Carlos de Paula Carvalho, que bebem na fonte da Antropologia Profunda de Gilbert Durand e do Paradigma da Complexidade de Edgar Morin. O estudo baseia-se também em Cliford Geertz, buscando o dito destes sujeitos dionisíacos “primitivospróximos”, sertanejos e caipiras estudados por Maria Isaura Pereira de Queiroz, Antônio Candido, José de Sousa Martins, Carlos Rodrigues Brandão e, mais recentemente, por Jadir de Morais Pessoa. A modernidade em seu saber perito se estrangula, suspeita de um universo racional que desaba na certeza dos saberes antigos, profundos da memória coletiva. Este estudo, por fim, abre portas para um diálogo entre Antropologia, Sociologia, Psicologia e Pedagogia. Esse compor de profundidade tem no centro o homem e seu imaginário, o sistema genético e fenotípico, o complexo sócio-cultural, feixes de um todo, negligenciado pelo conhecimento utilitário racional dos tempos modernos. Este estudo está vinculado à linha de pesquisa Cultura e Processos Educacionais. |