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Title: Navegar é preciso, viver é traduzir rumos
Authors: ALMEIDA, Maria da Conceição Xavier de
JESUS, Sonia Meire Santos Azevedo
Keywords: EDUCAÇÃO NO CAMPO
ASSENTAMENTOS RURAIS
TRABALHADORES RURAIS
EDUCAÇÃO RURAL
Issue Date: 2003
Publisher: Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Centro de Ciências Sociais Aplicadas. Programa de Pós-Graduação em Educação
Abstract: Os problemas vividos entre os diferentes interesses individuais e coletivos, em áreas de reforma agrária organizadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), têm origem na tensão entre a capacidade de projeção e de realização dos ideais dos assentados. Identifico nessa tensão três paradoxos: o sentido de representação e orientação; a ligação de inclusão-exclusão, e o movimento de ordem-desordem e reorganização. Para compreendê-los, desenvolvo argumentos buscando na imagem da navegação e dos seus elementos um sentido que explique a construção imaginária da política e da organização social do MST. O movimento realizado através da educação foi o que despertou para o desejo de navegar em busca de rotas que instiguem o deslocamento e a migração das idéias. Por isso, desloquei-me pelo universo dos textos, das falas e das minhas lembranças; imprimi sentidos, realizei reflexões e elaborei propostas. O Grupo de Estudos da Complexidade da UFRN e o Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (sob a orientação do profº. Boaventura de Souza Santos) foram importantes para que eu vivenciasse a fronteira da sociabilidade do conhecimento e o desejo de alimentar diálogos. A antropologia geral e transdisciplinar de Edgar Morin, a sociologia crítica de Boaventura Souza Santos e a etologia humana de Boris Cyrulnik foram as grandes âncoras conceituais das quais me vali. Das viagens realizadas posso inferir que é possível identificar nos assentamentos relações positivadoras de emergências de emancipação social. As ações e as estratégias político-culturais dos trabalhadores são construídas pelo fluxo ao mesmo tempo contínuo, complementar e antagônico, de abertura-fechamento, autonomia-dependência, pertencimento-despertencimento. É no mar revolto que os trabalhadores da terra ampliam suas possibilidades de intervenção, porque são capazes de impulsionar desejos e de recriar modos alternativos de vida em espaços fronteiriços. Por isso, eles não podem eliminar seus paradoxos. Ao contrário, devem colocá-los em diálogo porque não há como eliminar a capacidade dos sujeitos de se revoltarem, de cruzarem os mares, lutarem pelos seus direitos e por uma reorganização de um novo imaginário social do campo. Nesta tese, a metáfora da navegação permite construir uma estética ancorada pela aprendizagem ousada, difícil e inacabada. Uma estética instauradora do lugar mestiço propugnado com veemência pelas ciências da complexidade para o século XXI. O lugar mestiço não se restringe ao novo que nega o passado, antes o reorganiza por meio de uma aprendizagem bifurcadora por excelência.
Description: Depositária: Biblioteca Central Zila Mamede
URI: http://www.bdae.org.br/dspace/handle/123456789/536
Appears in Collections:Educação no Campo

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