Use este identificador para citar ou linkar para este item: http://hdl.handle.net/123456789/526
Título: A mística e a educação do MST da região noroeste do Paraná
Autor(es): MORI, Nerli Nonato Ribeiro
HIROSE, Kiyomi
Palavras-chave: EDUCAÇÃO NO CAMPO;TRABALHADORES RURAIS;ASSENTAMENTOS RURAIS
Data do documento: 2004
Editor: Universidade Estadual de Maringá. Programa de Pós-Graduação em Educação
Resumo: O ponto de partida para o presente trabalho foi a participação no MST como educadora por meio do projeto PRONERA, uma parceria entre a Universidade Estadual de Maringá (UEM), o INCRA e o MST da região noroeste do Estado do Paraná. O referido projeto previa a formação de monitores das áreas de assentamentos/acampamentos com uma preparação voltada para o projeto político-pedagógico do movimento, bem como para uma proposta metodológica que permitisse trabalhar as necessidades dos assentados/acampados. Para tanto, foram elaborados coletivamente os programas de trabalhos que envolveram a comunidade nas atividades do projeto, visto que é pressuposto básico que ninguém educa ninguém, mas as pessoas se educam mutuamente, desenvolvendo as suas possibilidades de produção. Nesse sentido, o projeto previa duas ações distintas, mas simultâneas: primeira: a formação de grupos de estudos e a segunda, a formação continuada dos educadores/educadoras. Da participação em ambas as etapas, que aconteceram concomitantemente, e da experiência como agente formadora, destacamos como objeto de pesquisa para o presente estudo, a relevância da especificidade do papel da mística na educação no movimento social campesino brasileiro. Parece-nos que a mística é, talvez, o maior diferenciador do modelo de educação do mundo urbano, da escola formalizada pelo Estado. Nesse intuito, o presente estudo versa sobre a educação no MST, cujo foco iluminador recai sobre a mística, visto que ela perpassa por todos os momentos da vida cotidiana dos acampados/assentados, inclusive dos princípios educativos. Para tanto, a tentativa foi de investigar as místicas realizadas durante a realização dos trabalhos educativos do PRONERA. Na apresentação deste trabalho realizado, demonstramos parte do percurso , ou seja, a vivência no campo e a reflexão da vivência experimentada. O primeiro capítulo Setor de educação do MST, é dedicado ao relato de observações realizadas nos trabalhos de formação de educadores da região noroeste do Paraná, com aproximadamente cinqüenta educadores/educadoras dos assentamentos/acampamentos dos municípios de Peabiru, Querência do Norte, Cruzeiro do Sul, Paranacity, Mariluz, Colorado, Terra Rica, Loanda e Guairaçá, limites de convivência do PRONERA. O segundo capítulo: O papel da mística do MST é desenvolvido em duas partes: um primeiro momento voltado para o histórico do MST e os princípios fundamentais da organização no que se refere à educação; no segundo, tomamos a mística enquanto manifestação do processo educativo. Não se trata de uma mera atividade marcada por simples rituais, mas uma prática coletiva socialmente organizada que encerra e demarca momentos, traduz sonhos e preocupações, a esperança e a luta por um projeto popular para o Brasil, como nas palavras do poeta, eles não querem só um pedaço de terra e comida, querem também cultura, arte e cidadania. No terceiro capítulo, a experiência vivenciada é retomada à luz da fundamentação teórica do segundo capítulo. Analisamos o processo educativo com o objetivo de discutir o papel formativo das diferentes manifestações místicas nos espaços coletivos, não nos moldes da escola formal urbana, mas nos diferentes grupos de estudos organizados conforme a dinâmica de vida de cada região, as lutas, os momentos vividos, sempre vinculados aos objetivos do projeto de conquista dos direitos socioeconômicos e culturais. Analisamos como as apresentações místicas são inseridas no contexto educativo de forma geral e destacando, em especial, momentos vivenciados no curso de formação de educadores e educadoras, analisando-os à luz do referencial teórico estudado. À guisa de conclusão retomamos o percurso realizado para colocar em evidência alguns pontos que consideramos articuladores para a educação de pessoas que vivem uma realidade concreta de luta por uma sociedade transformada, com princípios políticos e educacionais diferenciados e distintos da escola regular sistematizada. Educar no MST é mais do que focar métodos, processos e formas, mas empreender um desvendamento de códigos de leitura e escrita e de transformação de idéias e pensamentos. Nas palavras de Paulo Freire, no ato de leitura e escrita do mundo, necessariamente estaria também o conhecer e saber reivindicar os direitos de cidadão.
Descrição: Biblioteca Central e PPE/UEM
URI: http://www.bdae.org.br/dspace/handle/123456789/526
Aparece nas coleções:Educação no Campo

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